O Escritório
A defesa feita à mão
Atuação em casos que não cabem em fórmulas: os de alta complexidade técnica, os de forte exposição pública e os que reúnem as duas coisas ao mesmo tempo.
De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
01
O diagnóstico
Ruy Barbosa escreveu essa frase como diagnóstico, não como resignação. Ela descreve o que acontece quando a forma se torna decorativa e o poder deixa de encontrar resistência técnica: a desonra prospera porque ninguém a contradiz com método. Admiro a advocacia que atua para contradizer com método.
02
Quem chega até mim
Recebo pessoas, não processos. Antes de existir um número de autos, existe uma biografia interrompida, uma família que perdeu o sono, uma reputação submetida ao julgamento sumário do noticiário, um patrimônio construído em décadas e ameaçado em uma manhã. É desse ponto, e não do arquivo, que a defesa começa.
03
Como leio o caso
Compreendo o acusado como indivíduo inserido em uma engrenagem social complexa. Foucault mostrou que a punição moderna não se limita ao corpo nem ao cárcere: ela classifica, vigia, produz identidades e distribui vergonha. Beccaria já havia alertado que a medida da pena não é o clamor, e sim o dano. Ler essa engrenagem, suas pressões políticas, seus apetites midiáticos, seus automatismos burocráticos, é trabalho técnico, não retórica de rodapé.
04
Por que artesanal
Recuso a defesa produzida em série, a petição de gaveta, a tese que serve a todos e por isso não serve a ninguém. Cada caso é medido, cortado e costurado à mão, sobre a matéria única de que é feito: os fatos, o tempo, o tribunal e a pessoa. O artesão conhece o material antes de cortar; o advogado deve conhecer o processo antes de escrever.
05
Quantas causas
Trabalho com um número deliberadamente reduzido de causas. Não é escassez: é a única condição em que a atenção continua sendo um método, e não uma promessa de folheto. Quem me contrata contrata presença.
06
O que defendo junto
E, porque toda crise penal é também uma crise de narrativa, trato a liberdade e o nome como dois bens indivisíveis. Defender apenas um deles é entregar o outro.
O Método
I
Escuta antes da tese
Nenhuma estratégia é desenhada na primeira reunião. Primeiro reconstruo o fato, inteiro, com o que incomoda, porque é ali que a defesa encontra o que é seu.
II
Antecipação de cenários
Toda peça é escrita pensando na decisão seguinte e no recurso que virá depois dela. Defender é jogar três lances à frente, não reagir ao último.
III
Discrição como técnica
O silêncio, bem administrado, é peça de defesa. Nada se diz publicamente que não sirva ao caso, e o que serve é dito no momento exato.
IV
Presença até o fim
Da delegacia aos Tribunais Superiores, o caso não muda de mãos. A continuidade do responsável é parte da qualidade técnica do resultado.
O Advogado
Lucas Gitirana
Souza de Carvalho
OAB/PE 71.374 · Recife, PE
Advogado criminalista. Dedico-me à defesa em investigações e ações penais de alta complexidade e repercussão, com atenção particular aos casos em que o processo caminha ao lado de uma crise pública, e em que defender é, simultaneamente, litigar e conter.
Com sede na Rua Francisco da Cunha, 636, Boa Viagem, Recife/PE, atuo em todo o território nacional, inclusive perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal, em regime de atendimento reservado e disponibilidade permanente.